sábado, 13 de novembro de 2010

A torneira berra a água pouca que sai banguela
Enquanto cães lambem o lixo na rua
Na favela os meninos vendem o mato,
na boca da viela!
As noites se arrastam
com os olhos acessos em vão
Corações batem
Sopram os ventos da maldade
corações ardem e olhos faíscam
E vomitos pelas madrugadas e
muitas engasgadas
encontros não planejados
Muitas madrugadas
Muitas gargalhadas!

2 comentários:

  1. Na verdade, o que vejo são as coisas muito "dentro" no peito, no coração, na alma...O olhar risca e rabisca mas não avança ou ousa. Fala-se muito de lagrimas de sofimento de magoas aguadas insolucionáveis...parece que a poesia do mundo e feita dessas coisas. Não que isso não seja legal, até é, o problema é que não vai além disso.Enquanto estilo, requinte, até sofisticação linguistíca é muito, muito legal...mas se ficar só nisso, vira espinha, ulcera,tumor, nodulo...vira até tatuagem, essa mutilação definitiva. Parece que só a dor, a lástima, a magoa...é definitiva.
    Precisa derreter tudo, fisicalizar...continuar fazendo e transformando...construir cidades nascidas desses derretimentos e superar, destruir, reconstruir...sempre, sempre, sempre...cidades de música, de dança...essa coisa toda que constata que a vida é bela.
    Aliás, bota bela nisso.

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  2. Vou contradizer tudo que disse no comentario anterior comentando o poema que começa dizendo que tudo acontece...o poema ( a posia) que meio que traça o perfil da personagem Perséfone.

    Falemos.

    Pois bem, tudo acontece simultaniamente.
    A primeira face que termina com a mesma frase, mas enquanto ela não vem...falemos!

    A ebulição é tudo: a transformação de uma forma em outra. Que Proteus nos irradie !
    O fogo interior, muito...muito aceso sob nosso inquieto aquatismo

    CORPO SEMPRE QUENTE MESMO CANSADO EM APARENTE ESTADO DE REPOUSO.

    Não nos iludamos, não há sossego, não ha descanso, não há ferias, amparos ou esteios.
    Pesadelos serão sempre constantes. Mais significativos, entretanto, constantes.
    "O destino do poeta"...
    A natureza quente, viva !
    Fervura, ebulição, o livro do desassossego.
    Não há quem cuide de nada nem de ninguém.
    Não há o que ser cuidado.
    Desassossego é tudo e é pouco.
    Tá pensando o que ?
    Não desejaremos a trégua enquanto arder o fogo.
    Apaga-lo é mergular nas trevas definitivas.
    Só a poesia ilumina e é iluminada.

    O poeta não é nada. Despreza admiradores e pompas.

    Ele (ela) pode até falar, circunstancialmente de superficialidades, enquanto se aprofunda na dor de sua vida, fonte de suas criações. "Tudo que é profundo usa máscara". Talvez seja a poesia a máscara do dor, não sei
    Não sejamos tão cineticamente císmicos.

    Ja que tudo acontece, adentramos na segunda face e tudo acontece na ininterrupta ação do poeta

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