domingo, 28 de novembro de 2010

O relógio parou ás seis da tarde um dia
O tempo revolvia nostálgico, quente e abafado
A agonia do mesmo dia se repetia
As boas novas não eram tão boas nem tão novas
Havia muita frustração e tristeza por um passado que revolvia a felicidade ferida
Aquilo que não voltaria e que portanto
não fazia mais nenhum sentido faria
se tivesse sido outro dia

As flores das horas por trás do relógio
tic tac das auroras envelhecidas
dos chamados sem ouvidos
das tristezas horas impróprias
O relógio das horas adivinhas das horas pressentidas pronunciadas indevidas
A aurora das eras vindouras bem vindas
tranquilas e duradouras..
O tempo do relógio entre vinha.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ah se pelo menos esse amor saísse do peito
e como uma ninhada doida
tirasse poeira do chão
Ou como um cardume que agita o mar,
saísse nadando
por dias e dias pra outro lugar
Se esse amor
como um rebanho em disparada
fugisse do lobo patrão
Mais não,
esse danado...
me sufoca o ar dos pulmões
como se fora as asas de muitos aviões
Às vezes engasgando na garganta
submerge transforma e se apresenta
irreconhecível quando chamado
Ah esse amor que se traveste
em sonhos suados a noite inteira
Esse amor da cor das tempestades marinhas !

Ando meio á remo
Meio troncha
meio murcha
Meio pela metade
Meio de bico
Meio triste
Meio borocochô !

Quanto hein hein
Quanto ai ai ai

Ando tralalá
Ando lero lero

Dores profundas
em horas incertas ...



sábado, 13 de novembro de 2010

Trabalho por conta própria
Sou dona de minha renda
Costuro no fio da navalha
Só não coloco minha alma á venda !!
A torneira berra a água pouca que sai banguela
Enquanto cães lambem o lixo na rua
Na favela os meninos vendem o mato,
na boca da viela!
As noites se arrastam
com os olhos acessos em vão
Corações batem
Sopram os ventos da maldade
corações ardem e olhos faíscam
E vomitos pelas madrugadas e
muitas engasgadas
encontros não planejados
Muitas madrugadas
Muitas gargalhadas!
Ele disse
Eu te amo
Colado em minhas costas
...Prontos pra dormir
A noite calava e eu nem percebia
o amor que subia engasgado
até a boca macia

-De, preciso te falar uma coisa
-Humm....
-Eu te amo!!!

O silêncio perpertuou
E sua voz ecoou dentro
como se tivesse caido num abismo
Fiquei parada...

reparando
como soava lindo
Na madrugada paulista
Fria e desconsolada
Aquele canto que
submergia

Encantado

e surpreedido!