terça-feira, 18 de maio de 2010

Tudo que se reveste
repele o que desvia...
A vida dos sonhos
As meras impressões
As velhas e sucessivas
impressões do dia a dia

As "não lembranças"
O olhar de soslaio...
A mão que não toca
Acaricia
de leve
sem intenção própria
Sem via de mão dupla
Entende!


Tudo se encarrega
do descarrego contínuo
do desvio
da marcha
e da luta

Como
quem
tem fome
Como quem as horas
não tem significado preciso
Como quem aguarda pelo melhor momento
para melhor aproveitar o fim
Como quem não se sacia assim
tão depressa...
Eu me sento na janela pra contemplar o fim do dia !


As flores são varridas
Tão vermelhas,
as flores....
Amarelas,
as pétalas vermelhas
Rasgadas e caídas

No meio da noite
pistolas dizem coisas
No meio da noite, as vozes
e os silêncios das coisas
As ultimas doses do perdão
os longos tragos do desconforto
No meio de domingo amargo
um:- Bom dia!
Dias em que os deuses envelhecem
Caem de seus panteões
e seus músculos tornam-se frouxos
flácidos estão rotos
seus rostos magnanimos

Seus hábitos
são devorados por bocas famintas
e ignoram seu pranto atores de baixo nível
Sonhos de veludo numa cama de espinhos...

Aqui Agora

Descobri que o amor
assim como o mar
È uma grande sensação
que te invade muito forte
e intensamente o coração
e daí neste instante
não se pensa em mais nada
porque parece que se tem tudo
e nada mais há para se importar
por que simplesmente se existe
Essa é a grande descoberta
E sente-se sendo
e sentindo
O tudo
O mundo
E você
!
Tudo junto e misturado
como se diz por aí

E daí
chorando
brotam sorrisos
e risos surgem sem
medo de serem reprimidos

O mar assim como o amor
vai e vem
sempre em seu movimento contínuo
Em ser

Praia
Mar
Oceano

Oceano
Mar
Praia
Areia..
De dentro pra fora
de fora pra dentro

E assim sendo coisa perfeita e bela !
E assim sendo você e o mundo
A mesma coisa naquele momento!




Tenho que supor que não sinto
O que arde em meu interior
quando digo
mesmo que só em pensamento

que lamento tê-lo perdido
sem ao menos tê-lo tido o gosto inteiro
Tenho que fingir mesmo
que não existiu
aqueles momentos
obtusos,

oblíquos e inteiros

Tenho que largar seus versos
na minha estante
e distantes deles criar
a ilusão de que são
de algum
autor desconhecido
e de que sua presença
não me perturba nenhum pouco

Estranho tudo isso!
Ter que supor o que não existe.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Elisa LucindaLibação

É do nascedouro da vida a grandeza. É da sua natureza a fartura a ploriferação os cromossomiais encontros, os brotos os processos caules, os processos sementes os processos troncos, os processos flores, são suas mais finas dores
As conseqüências cachos, as conseqüências leite, as conseqüências folhas as conseqüências frutos, são suas cores mais belas
É da substância do átomo ser partível produtivo ativo e gerador Tudo é no seu âmago e início, patrício da riqueza, solstício da realeza
É da vocação da vida a beleza e a nós cabe não diminuí-la, não roê-la com nossos minúsculos gestos ratos nossos fatos apinhados de pequenezas, cabe a nós enchê-la, cheio que é o seu princípio
Todo vazio é grávido desse benevolente risco todo presente é guarnecido do estado potencial de futuro
Peço ao ano-novo aos deuses do calendário aos orixás das transformações: nos livrem do infértil da ninharia nos protejam da vaidade burra da vaidade "minha" desumana sozinha Nos livrem da ânsia voraz daquilo que ao nos aumentar nos amesquinha.
A vida não tem ensaio mas tem novas chances
Viva a burilação eterna, a possibilidade: o esmeril dos dissabores! Abaixo o estéril arrependimento a duração inútil dos rancores
Um brinde ao que está sempre nas nossas mãos: a vida inédita pela frente e a virgindade dos dias que virão!