segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ah como dói ser mulher
e ser tantas dores
Mas ah,
como bom
é sê-la
e senti-las todas


E essa chuva agora,
todas asnoites
essa chuva ralé

Ah como é estranho
ser esse espírito de asas cortadas

Como é a índole dos vícios
coisa apurada e proposital
Como a coisa toda é substância
fantasma e real

Eu costumo amar
de forma precoce e intensa
difícil costumar ...

Cada qual tem suas carências

Cada pedaço
seu inteiriço
seu aparato
Cada ato
desagua
para o seu desatino

Por que andas assim
Tão distante de mim
Não entende
Nunca está
Nada consta
O que há
Você não sabe o que acontece
Nem desconfia
Sou ma desajustada
Uma sem jeito
Uma filha órfã dos ventos

Sempre a pior
a malvada
desajustada
mais uma vez
há há
Talvez só Baudelaire me entenderia
Preciso partir
Mas... ir para onde
Ah que navio cargueiro me aceitaria
De qual navio negreiro
fui trazida

atirada sem dó


Ah carinho
só precisaria agora de seus olhinhos
em mim como duas borboletas
mas foges de mim como
duas cotovias

Por que
Porque andas assim tão longe de mim!
- È mesmo !
- Claro!
-E daí !!!!

Quero de novo
Os festins de máscaras
Estes carnavais navalhas
Estes deboches sem fim

Porque o Amor
Ah !este sim
danado !

Este sim torna se fantasma
conversa fiada
Este sim tem
hora marcada para o fim
E eu que não uso relógio
não tenho mesmo jeito para este arranjo

Nadar no raso é melhor
não o há perigo de se afogar
Quero de novo
o descompromisso

A torrente de copos
os maliciosos gestos
as delícias do anonimato
Quero de novo
o riso de malícias

È mesmo!
Claro!E daí!!!