quinta-feira, 27 de agosto de 2009

"Viver não é necessário
O necessário é criar."
Uma vontade inefável
um sentimento inócuo
e irresistível de fuga
me hospedar
forasteira e foragida
em acasos que
me proporcionem
qualquer gozo
de fúria
de contemplação
Qualquer realidade
que possa se diferenciar
se opor

As paredes ocas vibram
se tornam monstros de concreto vivos
que me engolem
e depois me cospem de volta
Vidas
levadas por qualquer mão
Mediocridade

Essa fuga constitui
um reboliço interno
um estardalhaço
que sempre fez
de minha poesia
minhas tripas
um alçapão
de voz ativa !

o fim

E tudo se foi
ao golpe baixo
do susto
mas sem muita dor

Um vomito
Um cuspe
Um peido
Um arroto

Totalmente escatológico
Nosso amor
inventado á maneira de Cazuza

O ajuste tardio de energias
desajustado pela febre do vazio
pela indiferença generalizada

Sua música que eu não cheguei a ouvir
soou emoldurada pela arranhadura
de um coração precocemente destruído

Sob a mescalina de tantos beijos
pelo câncer avançado e preto
-Como plagiar Kurt-

Sensação de deja-vu
Estupidez loucura
Fetiche perigoso
Com gosto de desilusão tardia
poço fundo
negro
e sozinho

Vadia miserável vagabunda
Piranha desgraçada

Te amo e por mim não sentes nada !

sábado, 22 de agosto de 2009

Em tudo que chateia
...O bloqueio
NA senda dos passos
...O tropeço
NA dose que se segue
...O veneno
No bailado inconsciente
...O estrondo

Para quem escuta nada ...
Não quero mais amor
pois tudo nele em mim
agora rima sempre com
dor
Não quero mais amar
pois tudo em mim
desagua no mar
como um naufrágio de graves proporções
Quero ser o mar
somente ele em seu imenso destino
em seu imenso mistério
e navegar navegar
até onde eu possa achar
que não há mesmo mais terra alguma
e que me diluirei em seu sal
atravessarei suas ondas
e mergulharei para sempre
onde não há mais olhos
nem coração
pra que se importar
com o que nem mais há....

Quero sair daqui antes que eu derreta
antes que eu me esqueça
que eu não posso mais desistir
Eu não quero mais amar
Antes que eu me esqueça
A dor esquenta até estourar
Antes que eu me esqueça
Quero ser barquinho e navegar e navegar...
Grande Senhora dolorosa e tão Bonita
De uma forma bem específica
de vicios virtudes e verdades
escondidos no espelho interior
Mãe e madrasta
Casta curtida e castrada
das emoções mais delicadas
e destruidoras
das grandes causas
e pequenas encheções de saco...
afinal quem é você ??
O que tem em mim
que nem eu nem você
que sou e não sei
e talvez vá direto á Bagdá
e talvez não
Talvez pra Amsterdã

E não vou embora
porque mal cheguei
E não vou
pra lugar nenhum
por que não sei
nem norte
nem sul
nem noite
céu azul

Nenhum lugar
que seus olhos
me obriguem a parar
de um por um

e olhar
através do véu das horas
através das aparencias

e sentir meu espírito
escorrendo
saindo de meu corpo
percorrendo o astral
como mágica
como encanto xamanico

Nem fico parada
nesta sala
neste quarto
neste tempo sem espaço
neste chão de pés lascados
de pés
sem dedos
no chão de asfalto
que já nem existe ´
que já nem resiste
á desilusão
á desilusão

E é agora a hora
o que é será
o que é por que há
o que é
é melhor do que supor
que é

Uma explicação bastante convincente não há


Pra quem é
pra onde for
pra este enigma tão simples
é sim ´
ou não

Talvez ,
Será...

A vida anda insana
há há há
atrás das paredes é onde se escondem
os sentimentos vergonhosos
rastejante pelo vão dos azulejos
é pra lá que se vão
as trapaças as angustias
as mentiras
as doenças da alma....
há há há

Dando trabalho para o pano de chão.

À desilusão...
"Na vida e na arte agente tem que ter a compania do demonio"
Oscar Wilde

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Quinta feira estranha
Quinta vermelha
vermelho paixão
vermelho das unhas
vermelho dos lábios
e das calcinhas

milagre de quinta feira
nunca se ouve falar

rosas da cor de teus lábios de seda
vermelhos
ferve o líquido quente
tuas veias saltam sozinhas
em minha direção
Vermelhas

estrelas transformadas
-apontadas por dedos ainda sem verrugas
Consagradas em meiguices
poesia.

Outro dia
naufragou
o marujo que se desentendeu com o mar
e agora flutua sua alma incansável
sob os restos de capas de livros
outrora reunidos em seu porão
que como eles morreria sozinho

palavras salgadas que de nada valeriam...
Odeio as palavras
Nunca as encontro quando quero
elas nunca condizem com o que sinto

Elas mais mascaram que revelam
Mais sugerem do que dizem

O que sinto não são nomes
è só sentimento o que sinto
E não palavras
-mas palavras é o que tenho
Sejam lá elas
pronomes
sinônimos
adjetivo
Sem jeito
Elas não podem dizer ao certo o que quero dizer
O que sou
Eu não sei

Códigos estão sujeitos
a todo tipo de interpretação
Qual será delas a mais verdadeira?
Eu não sei
Como saber...


MAs vejam que sorte
sorte estranha essa a minha
Ao invés da pintura ou da dança
Ao invés das artes plásticas ou do cinema
Optei pela idiossincrasia dos versos
As rimas festeiras
A encarniçada e difícil poesia

E agora me desespero
com meu próprio destino
Desatino

E espero que de algum jeito
eu consiga fazer submergir
as palavras certas
Do caos de minha alma
iletrada e crua.
Os códigos fechados
os segredos infectos
descobertos
Os lábios entreabertos
em espera

Os fantásticos sonhos dos mágicos
O portão aberto sem trancas
permanece escancarados
sem nenhum invasor

Em apelos públicos
Palhaços
num passeio lúdico
bem sem graça
num circo
em dia de luto

Os relógios estão sendo atirados na parede
Eles se espatifam
se emborracham
È o fim das horas

As marcas inseguras
As amálgamas
Os ritos de passagem
no tempo das memórias
Tatuagem de vento
nas horas mortas suicidas
è o fim das horas
e seu peito que palpita tanto!


Tubos de ensaio planejam seu ato mais absurdo

Carnes
Fritas cozidas
assadas debulhadas
atiradas
em vitrines em gaiolas
carnes nas avenidas
em salas quartos esquinas
cozinhas


carnes
subnutridas
mal passadas
apodrecidas
bem temperadas
carnes
sem esperança sem vida

carnes
diárias
estantaneas
consumidas diariamente
indigestão planetária

Noticias nada amigáveis
intermináveis
ninguém
todo mundo

sempre meus ais
sempre meus ais
e nada mais
"Quantas vezes fizemos amor depois de nos odiar
e quantas vezes fizemos ódio depois de nos amar"