quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Vida Tempo Luta Hora

A vida é faminta
A hora devora
A luta é infinda
O tempo apavora

A hora é faminta
O tempo devora
A vida é infinda
A luta apavora

A luta devora
O tempo é faminto
A vida apavora
A hora é infinda
A hora é agora!

Meu coração

Meu coração é um mar morto
Onde navegam amores vãos
Com mil olhos de ciganas
Com influência de mil feiticeiras
Fadado á ser sem destino
E ter mil estradas
estranhas emboladas nordestinas

Meu coração é uma Cármen de Bizet
de pés descalços

de riso largo
Num bailar de borboletas

multicoloridas
com flores aos avessos
arrancadas de um jardim público

Meu coração é um navio fantasma
Um lago assombrado
Mágico e dilacerado
Uma canção antiga
Um espectáculo á parte de qualquer espectáculo
Uma demonstração experimental
entre o concreto abstracto
Uma flor do mato
de florescer sangrento

Meu coração é um berro
um silêncio
Um trovejar tempestuoso

Meu coração é um pássaro
de asas quebradas
em pleno voo
de volta ao ninho
sem destino

mas encontrado
em seu caminho

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Me sobe uma Ânsia incontrolável
Impossível não se intoxicar
E me vem
Sei lá o que de uma vertigem
que,quase quase me faz pender do fio da vida
que se retorce em sobressaltos incríveis

A vaidade me aborrece
mas também me sacia
desta necessidade com o tempo
consigo própria
e com os outros
estes monstros de mil olhos vazados

MAs parece que a vida entupiu como a pia da cozinha
e as baratas já dividem comigo meu almoço
sem muita cerimonia
Tudo me é estranho impostor
forçosamente simpatico
Incomunicável

Vivo a cair
Nada me sustenta
São tantos os sentidos
As miragens
As verdades
As mentiras
Que nunca aparecem sozinhas
A dialéctica inseparável da vida
ânsia que não para de crescer
Não sei o que dizer pra você
Só sei que te quero por perto
Vem pra mim
sem muito questionar
Ser feliz
é bem mais simples
do que podemos imaginar

Não queira saber o que faço
não faz diferença
Quem sou eu
Sou todas
e nenhuma ao mesmo tempo
rio de mim mesma o tempo inteiro
Um enigma de pirâmide
sem jeito

Qual minha idade
Isso nada tem a ver com nossos suores
O que você quer de verdade,se não,
a mim sem identidade,sem roupas,
sem passado,sem cruzes,
sem arrependimentos ,sem pecados
Sem depois
sem montagem,sem edição de imagens
sem cortes

O que você quer de verdade
Minhas vontades (todinhas minhas )
minhas covardias (inegáveis)
meus erros (múltiplos e desnecessários)
minha confusão ( apaixonante e desastrosa )

A teatralização de meus traumas
toda minha insanidade
num balde de escada pés

Não, espere
Não pense nos seus planos mirabolantes
Eles de nada servem
eles visualizam um amanhã
que já cansamos de saber
nunca chegará de pronto.
Eu quero te ver sorrir e falar bobagens
pouco me importa tua verdade,
tuas mentiras
teus contrários
tua crueldade de menino
tua frieza para com o mundo
tua emoção desperta
em sobressaltos de bêbado

Pouco me importa como te chamam
ou como terminará essa tarde
ou se nos veremos de novo
Nada

Por que a verdade é que longe de tudo
somos perfeitos
e ainda muito crianças,
com fugas e ameaças
Vamos nos mandar desse Hades Moderno
Massacrando nossos sonhos Dantescos e Libertos!
Longe disso tudo
longe de todo o mundo
Não sei se enquanto escrevo
pra você
Te amo
Não sei se ainda te espero ou
Pra onde quer que eu vá
Te quero
Me espiando
Esperando
que eu te encontre
com algum gesto distraído

Te confesso que
ando esquecendo de você
na mesma medida
em que esqueço de mim
em garrafas de vodka
Boates escuras,
luzes,
bares,bocas
e "Autdoores"
e drogas em comprimidos
Me esqueço de nossa promessa oculta
esqueço de mim
em lugares que não mais voltarei
e quando procuro
acho que você anda brincando
de esconde-esconde
de nunca mais
sei lá...

Vivo voando por aí
E às vezes me esqueço de voltar
Mas... voltar pra onde
se minhas asas de brinquedo
não funcionam mais
Se já não tenho lugar algum
Se já não tenho por que voltar
Pra onde quer que seja
Pra onde quer que eu vá
Qualquer lugar é meu
Em qualquer lugar vou te encontrar

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Um leve sabor do veneno
perdura ainda em minha garganta
Mas renasce o dia
Esquece eu me ouço dizer a mim mesma...
Meu desejo é ir além
e dizer amém ao Apocalipse
Indo de encontro brusco as ciências ocultas
sob a cruz ortodoxa
dos castelos cristão sanguinários
Os torturadores da fé alheia
Refluxo da Sociedade Secreta do Saber
abafada sob as vestes do Papa

A Verdade é solitária
As palavras degenerativas
O sentimento é incomensurável

O ópio
O ópio
O ópio


As cordas desafinadas
de seu instrumento de tortura
que não pára de gritar

A insegurança é um trovejar medonho
na passagem tremula na ponte dos desejos
A multidão
A multidão sem ninguém
sempre esperando pela queda
pelo vão que se aproxima
por alguma diversão
qualquer coisa serve

Um gosto forte do veneno
uma toxidade medonha

Agora preciso descansar!
Assim estou
Ruído surdo
que quase não se ouve
que quase não serve
que quase não existe de verdade...

Entre luzes e correrias
subterfúgios e soldados disfarçados
Corações compulsivos e distantes
á beira de um enfarte
á beira de um desastre
Rotas excludentes
alteradas expulsas autoritárias
pelos mais diversos vícios, vírgulas
Insuportáveis manias
insuportáveis marcas pregadas
feito estigmas

Tenho visto tudo meio torto
meio vesgo meio pelo avesso


Nada de muito importante
Nada que seja levado ao cabo da denuncia
da análise da reflexão
O grande mal do Século
_tenho a impressão de que já disseram isso_

A dramaticidade
transformou-se num sarcasmo
indiferente e medonho
Nenhuma emoção
Nenhuma novidade
Somos iludidos o tempo todo
e gostamos disso!
Damos a cara a tapa
a mão a palmatória
Um sadomasoquismo difícil de crer
Permanecemos neste zumzumbizar neste marasmo
Corações congelados e deprimidos
caminhando sem pés e sem coração!!

Invenção

És uma invenção!
uma fábula um engenho uma ficção
Criação de minha alma
Enlouquecida
Absurda
-tão sozinha-

Sem sentido!

És uma invenção!
Um contraponto um soneto
Sonho meu!
devaneio de um corpo que
bailando certa noite
esbarrou ao acaso com um rosto estranho
refletido do outro lado de um espelho mágico
E deu por si nesse instante
perdidamente apaixonado

És um segredo que
por mais que coce a língua
não poderei te contar
és uma cisma
um capricho
uma obstinação
uma sina
um pesadelo
uma pulga trás da orelha que não deixa de coçar
um cafuné
uma pelúcia velha dada de presente

A fina poesia que surge no momento mais inadequado do dia


A misteriosa entrega absoluta
sem recursos sem enganos
que existe quando dão de encontro nossos olhos
-que sonho-

È fantástico o ser que se revela em mim
quando você existe
Desde que inventei que Você existe
só porque eu te encontrei

Nova versão

Olhos como cabeça de dinossauro
voz como o ronco de trovão que prenuncia a tempestade
Torrente do fel mais encarniçado
do amargo que corre pela língua percorrendo sem pressa
denso meus céus
descendo pelos doutos de contenção emocional
Trágico
Bebes me olham como se entendessem tudo,
(Apavorados querendo voltar ao útero )
mas não pudessem dizer nada
O coração que com rubras asas
se transforma em um pássaro
que salta do peito explodindo pela boca
ferindo assim, toda a garganta
ferindo dentes e gengivas
fazendo submergir sangue
vazando de sua boca como uma queda de feroz cachoeira

A memória esta renovada
a pulso funciona fraco...
Medonho

Nada mais genial que o golpe fosse dado na cabeça
(o que aconteceu á força usada na execução do ato covarde
readquiriu o estado inicial de quietude e paciência )

Indubitavelmente eu
hei de nutrir do caldo grosso de tua poesia
pobrezinha ainda guardada na estante
da saliva de seus tédios de fim de noite
do suor de seus atropelos..
Sem jeito meu eu e meus não-eus
sabem bem quem é você

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Boneca

Boneca de Trapo
Boneca suplício
Maltrato

Buxixo
Boneca Buraco
Boneca De Circo
Boneca Palhaço
Estandarte

Estardalhaço
Pedaço de seu céu sem cor

Sem nuvens e sem mormaço
Boneca sem sexo
Saudade sem mágoa
Destino sem rumo
Boneca de água
Boneca de chumbo

Boneca sem dor
Boneca de carnes
Boneca de amor