segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Mas agora eu não sei mais
como dizer
o que eu ia dizer
Já não me parece assim,
tão importante!

Só sei que me dói a vida
como um esmagador sopro
que sufoca e arrepia

Como um ciclo
sem escapatória
que gira sozinho
e eu fico
me perguntando
todas as perguntas do mundo
na roda do tempo

Me contra dizendo
como é difícil ser assim
como sou...
è tão simples
pois sempre foi assim
Assim
Eu sozinha
dentro de mim

Assim
que eu passei a me conhecer
assim que tudo passou a ser
todo o mundo pra mim

E assim me vi intrusa
Sambando sozinha
no Carnaval das ruas

Intrusa
entre os que me rodeavam
com seus olhos de bonecos

sentada em cadeiras distantes
falando em línguas distintas

Assim

sempre busquei minhas raízes
num abismo mais profundo!


Não me apeguei a nenhuma religião
nem acredito
no Deus que salva ou condena
Porém não sucumbi
aos pés de um ceticismo que amortece

Quando escrevo o sinto profundamente
essa é a minha voz
diante do silencioso esculacho da vida ...

Lamento esses tempos
tão esvaziados
sem vozes que digam alguma verdade
Sem meios de se autenticar
as grandes mentiras

Essas pregas na alma
Esse riso tolo
Essa sensação falsa de satisfação
Essa melancolia crônica
Esses calos espirituais...

Lamento permanecemos
ainda tão presos em nossas próprias ilusões
em nossos proprios cárceres privados
em nosso fastio gigante da vida!

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