segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Ah, esta minha vida
Estes vinte anos
estes vinte anos famintos
Sozinhos
mesquinhos
Sedentos
Sôfregos e fantásticos
e lamentáveis
Assim como disse Rimbaud..
assim eu estou de acordo

Absolutamente
sobrevivente !
cheia de gostos,
sabores,
suores.

Amores
sonhos
enganos
dores
Mistérios
pensamentos...
Misteriosos sinais

Anos em que estive a me esconder
e também a me mostrar
escapar e descobrir
verdades e mentiras
sinónimos
e antonimos
de uma coisa só

Anos em que estive
espreitando as faces
por baixo dos panos

Os risos sem alma
Os olhos foscos
Os discursos vazios
Os corações amortecidos

Me infiltrando
no submundo
das almas aflitas
despertas e ávidas
tanto quanto a minha!

Um subproduto do meio
elemento das profundezas
de um oceano inteiro

O que dizer da fera onde sou ferida
das flechas todas lançadas de uma só vez
das marcas na pele sem proteção
das lições que se dão sozinhas
sem a necessidade de professor

O que dizer dessa vida de armadilhas
dessa sombra violácea
deste sonho eternidade
deste grande mistério sem pronto atendimento!

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