segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Novas versões de velhos amores

Será que acaso você ouviu
a nova versão
tema clássico
de nossa tenra juventude...
Tema trágico
de nosso romance
tão intenso
e tão sutil ?

Nosso sentimento vivido
clandestino
ás escondidas,...

Novas versões de velhos amores
Velhos amores em novas versões

Será que ainda hoje
perde seu tempo preenchendo
em linhas de caderno
todos os episódios que não foram
encenados no nosso palco sem fim
Criando fictícias
todas as possibilidades que tivemos
que teríamos ?
Nossas memórias
nossos encontros
e desencontros
em meio á canção que dizia tanto sobre nós ?

Nosso amor Platónico
Nosso amor sem carnes
Nosso amor alado
Nosso amor de sonhos...

E como poderia ser diferente

Nosso amor revelada dentro dos cemitérios !
Contrariando todas as convenções .
Certamente fomos amaldiçoados

pelo morto da tumba em que nos atrevemos
revelando assim
nossa paixão
gótica
e além dos tempos
Esse amor tão incomum
Nossos destinos
entrecruzados como as cartas de um baralho
Perdidos no vão sem telha de uma lua nova
Encerrados em nosso infortúnio
de sermos tão meninos e tão apaixonados

Ainda que por descuido ou deja-vu deixava-me levar
por seus olhos naquelas tardes indescritíveis
intermináveis de nós dois
nós que procurávamos no céu
e seus estranhos signos
Respostas brandas aos nossos sentimentos
aflitos e confusos

E mal havíamos percebido que há pouco
dormimos meninos
e acordamos
homem e mulher

Aqueles corredores escorregadios
aquele pátio cheio de segredos
cheios de ensaios fatídicos de vida

Ah quantas saudades
Ah quantas pequenas bobagens nos faziam felizes

Nossos gritos que já não cabiam
calar em nossas gargantas
nosso corpos que ferviam
precisavam se mexer cada vez mais
nossos olhares que escondiam tantas dores
tantos amores inconfessáveis !



E hoje que andamos tão ausentes

desses tempos
de tanto e tão pouco tempo atrás
resta-nos a doce lembrança
e a forte saudade
dos anos em que saltávamos longe em que ríamos muito mais
e descobríamos aos poucos quem seríamos
do que éramos feito!



Velhos amores sempre presentes
Velhos amores amores presentes pra sempre !

Marionete que ganhou vida

Transbordei da vasilha
Inundei o compartimento
Não tive a preocupação de medir
de antemão o quanto caberia

Escorri pelos degraus
Feroz

Com minhas águas
(lágrimas suores sangue de toda espécie)
foram lavadas roupas íntimas,
lençois,forros e panos de prato
Toda água tornou-se suja inutilizável
Todo véu coberto de poeira foi retirado
toda luz acessa foi apagada

"Todo amor é como um sopro
e no último suspiro acorda desmaiado..."

Fui estendida no varal
-capturaram-me-
com pregadores de prata
num terreno baldio os cães vinham brincar com os ratos
aves rondavam e

muita chuva caia impedindo que eu logo secasse

Fui entregue ao sol ao vento as tempestades
como merecedora sem muita chance de inocencia

Sem lamentos

ou meia palavras
Transbordei

da vasilha e agora sozinha
tenho que retornar!
Ah, esta minha vida
Estes vinte anos
estes vinte anos famintos
Sozinhos
mesquinhos
Sedentos
Sôfregos e fantásticos
e lamentáveis
Assim como disse Rimbaud..
assim eu estou de acordo

Absolutamente
sobrevivente !
cheia de gostos,
sabores,
suores.

Amores
sonhos
enganos
dores
Mistérios
pensamentos...
Misteriosos sinais

Anos em que estive a me esconder
e também a me mostrar
escapar e descobrir
verdades e mentiras
sinónimos
e antonimos
de uma coisa só

Anos em que estive
espreitando as faces
por baixo dos panos

Os risos sem alma
Os olhos foscos
Os discursos vazios
Os corações amortecidos

Me infiltrando
no submundo
das almas aflitas
despertas e ávidas
tanto quanto a minha!

Um subproduto do meio
elemento das profundezas
de um oceano inteiro

O que dizer da fera onde sou ferida
das flechas todas lançadas de uma só vez
das marcas na pele sem proteção
das lições que se dão sozinhas
sem a necessidade de professor

O que dizer dessa vida de armadilhas
dessa sombra violácea
deste sonho eternidade
deste grande mistério sem pronto atendimento!
Penetra surdo
O meu grito
na haste suja de teu ouvido
Teu ouvido mouco

Lamentavelmente
Não será possível a comunicação!
De meus olhos
saem fagulhas prontas para te ferir
prontas para atingir
o cume frio de teu pobre coração
disfarçado de Dom Juan
de Dom Quixote
de dono da verdade

Palavras são atiradas
como bala de canhão acelerado
em uma guerra particular e subjectiva
e o soldado que feito em pedaços
serve de modelo
pra o hábito industrial,
ainda contém na face um estranho riso
estupefacto pesadelo

O sol doura teus cabelos que ainda permanecem
castanhos escuros,quase negros,
queima tua retina sem você perceber
meus pés tem asas de morcego
e meus braços gangrenaram ao te abraçar
um pingo de veneno
E agora?
Fazer o que ...
Mas agora eu não sei mais
como dizer
o que eu ia dizer
Já não me parece assim,
tão importante!

Só sei que me dói a vida
como um esmagador sopro
que sufoca e arrepia

Como um ciclo
sem escapatória
que gira sozinho
e eu fico
me perguntando
todas as perguntas do mundo
na roda do tempo

Me contra dizendo
como é difícil ser assim
como sou...
è tão simples
pois sempre foi assim
Assim
Eu sozinha
dentro de mim

Assim
que eu passei a me conhecer
assim que tudo passou a ser
todo o mundo pra mim

E assim me vi intrusa
Sambando sozinha
no Carnaval das ruas

Intrusa
entre os que me rodeavam
com seus olhos de bonecos

sentada em cadeiras distantes
falando em línguas distintas

Assim

sempre busquei minhas raízes
num abismo mais profundo!


Não me apeguei a nenhuma religião
nem acredito
no Deus que salva ou condena
Porém não sucumbi
aos pés de um ceticismo que amortece

Quando escrevo o sinto profundamente
essa é a minha voz
diante do silencioso esculacho da vida ...

Lamento esses tempos
tão esvaziados
sem vozes que digam alguma verdade
Sem meios de se autenticar
as grandes mentiras

Essas pregas na alma
Esse riso tolo
Essa sensação falsa de satisfação
Essa melancolia crônica
Esses calos espirituais...

Lamento permanecemos
ainda tão presos em nossas próprias ilusões
em nossos proprios cárceres privados
em nosso fastio gigante da vida!
Cercada por estrelas
noite circular
Encantada
Caminhos que parecem
me despreender,não obstante,
Em constante enlace

Cercada por estrelas
em meu quarto imaginário
sem telhas
minha linha invisível
Em meu quarto baralho
desvendo vielas do destino sem trava

Embriagada sem respirar
sem poupar
sem receio
com os olhos vidrados, diluídos
em óleo diesel
em transfusões de sangue
em um lago púrpura
em um sonho sem vivos
Rio sozinho
riso de menino.


Cercada por estrelas
mente labirinto
mente moinho de vento
morrendo sem medo

Os pés
lascas de fogo
A língua
um morango silvestre
Nos dedos
poeira de fada
os olhos
"O lado escuro da sombra do sonho"
Tudo passa com muita força
Avalanche
Tudo passa com muita pressa
Terremoto
Muitas gotas de seu suor espesso
caem no chão de tantos passos

Tudo se agita
Gigantescamente
ás portas de dias que virão,
Sinistros
sobre a Solidão
que se despedaça
em um grande abismo sem eco,
Seu coração!

Òh! Raça Humana
Quanta prepotencia!
Tamanha Tecnologia !
Quantas mortes foram necessárias
e ainda são necessárias
Quantas guerras!
Tamanho desenvolvimento!
Quantas injustiças trapaças misérias ...

Um grande vão no meio de uma noite
de uivos e ventanias
uma grande tensão sob os ombros
Um espinho fincado nos pés
Sob os olhos uma venda colorida
Um estranho gosto nas nossas bocas
predomina
emaranhado todos os sabores

Rotos,
Àcidos,
Fálicos,
Sádicos
Estáticos

Todos os olhares se anulam
todas as vozes se misturam
Sem dizer nada
os desejos se afogam
no mar das certezas!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Estacão Sé

Estação Sé
Acesso a linha vermelha
Desembarque pelo lado esquerdo do trem
Estação Sé
Catedral
Sede Episcopal da cidade de São Paulo

Senhora Realidade
Dá-nos sem demora
sua bênção tão requerida
Banha seus filhos famintos
de sua grande proteção
Mas sem armas
sem feridas
vamos senhorita
dá-me logo teu pão de maravilhas

Estação Sé
Côrte dos Milagres

Èhhh...
Sé dos sem teto
Sem destino
dos sem colchão
A Sé dos mágicos suicidas
dos loucos sem perdão
dos trovadores
A Sé
brejo da cruz
Dos sem razão
sem dinheiro
Os sem medidas
Estão no vácuo
estão no meio do caminho
Estão no vão


Esta é a Sé
Estes são a Sé
Qual foi
qual é?

Estes são de todos os lugares
Irmãos de fé dos sem fé
Navegadores de mares e marés
Tempestades devidamente presas
em caixas de pandora
devidamente lacradas
com o símbolo do Estado
è claro!

A Sé das esmolas pré-fabricados por mãos tão benditas
quanto solitárias
temerosas e punitivas
dedos em ristes que apontam e delatam
Sem demora
-Olha a hora
-Nãopára,
nem olha

Estação Sé
"O que ce vai querer "
-Morrer de rir ou de chorar
-Qué pagar pra ver
Maconha
pedra
pó...

Ou vai ficar aí olhando
com essa cara de espantado
Fala aí manda vê
Só não vai vacila
cuidado com os gambé
Só não vacila e não diz quem nóis é



dos sem dentes
sem almoço
sem jantar sem café
Sé dos sem titulo de eleitor
Catedral dos herdeiros de Caim
sem nome
sem certidão
sem estatística

Abram alas pra ala
do Carnaval da Sé passar
Multidão de pés descalços
e corações amortecidos

Multidão de dedos sem anéis
Ninguém é o que parece
mas se parece é

Estação Sé

Somos que somos
A vida é como é
Podem fechar os olhos virar os rostos
podem fingir-se de mortos
Pois a Sé dos intestinos revirados
continua de pé
A Sé dos pirados
dos escolhidos
dos envenenados
Estação ...linha vermelha

Acesso pelo lado esquerdo do trem
Um leve sabor do veneno
perdura ainda
em minhas entranhas
Mas renasce o dia
e o desejo é ir além...
Endiabrados
Indo de encontro com as ciências ocultas
Com a magia enterrada
Sob a cruz ortodoxa
Dos castelos cristãos sanguinários
Monstros de cruz na mão
e frios corações

Os torturadores da fé alheia

Refluxo da Sociedade Secreta do Saber

A verdade é solitária
E as palavras por vezes
Se perdem no vazio
São degenerativas sem saber

O ópio O ópio O ópio


A insegurança é um trovejar
na passagem trêmula na ponte dos desejos
a multidão sem rosto,
de mil vozes
que nada querem ouvir
e nada tem a dizer

A multidão sem coração
sempre espera pela queda
com sua mãos pegajosas
com seus vícios
suas bocas turvas
seus dentes furiosos
seus olhares foscos e mal intencionados
Sempre á espera pela queda do precipício
que brota da "Terra Gasta"
Carrascos
com seus próprios pescoços dependurados
E sorrisos de incertezas!
O sol já já se põe
no horizonte
aquela linha imaginária que,no entanto,
nos parece tão real

Ausência de sons

Tudo se prepara
como
num canto de ave rara
Sendo ali...
Hora fatal!

Ninguém consegue disfarçar
a palidez de nossas almas sem sol
todos permanecem indiferentes
a estes tempos tão indesejáveis

Tédio em Paris
em Nova York
No Iraque
Na Ìndia
Rùssia
Tédio no Japão
Tédio no Brasil


E nós s mais uma vez
com esses olhos
e quem morreu
e acordou tantas vezes


E nós que somos pedaços,
misturas e cansaços
somos levados por um poder inexplicável
que vem de nós
e não vem

Ah,
esse meu fraco pelo horrível
é um escárnio
por onde passa toda minha tristeza
E o silêncio em que me guardo
está repleto de palavras enferrujadas
estou cheia de uma fome
que nada sacia
num sufoco
num querer constante de um Grito!
Olhos como cabeça de dinossauro
voz como o ronco do trovão
que prenuncia a tempestade
torrente do fel mais encarniçado
do amargo que corre pela língua
percorrendo sem pressa
Denso
Meus céus
descendo pelos doutos de contenção
Emocional
Trágico
Bebes me olham como se entendessem tudo
mas não quisessem dizer nada

O coração que com suas rubras asas
se transforma em um pássaro
que salta como se quisesse explodir do peito
com suas asas recém nascidas
sai pela boca
ferindo toda a garganta
ferindo dentes e gengivas
e a língua se enrola num engasgo
fazendo submergir
todo sangue vazando da boca como
uma queda feroz de cachoeira

A ´memória está renovada
o pulso funciona fraco
e a latitude do planeta
entra em desacordo com seu eixo
e todo ele pede por Socorro


|Nada mais genial que o golpe fosse dado justamente na cabeça
(o que aconteceu á força usada para a execução do ato covarde,
readiquiriu o estado inicial de quietude)
explodiu em mil cores
milhares de luzes e vozes milhares de vezes
vagando numa escuridão de Eras

E eu hei de nutrir do caldo de tua poesia
pobrezinha ainda guaradada na estante
do suor de seus medos
na saliva de seus sonhos
como num beijo Sem fim
Sem enredo.