domingo, 27 de dezembro de 2009

Tudo que se reveste
repele o que desvia...
A vida dos sonhos
As meras impressões
As velhas e sucessivas
impressões do dia a dia

As "não lembranças"
O olhar de soslaio...
A mão que não toca
Acaricia
de leve
sem intenção própria
Sem via de mão dupla
Entende!


Tudo se encarrega
do descarrego contínuo
do desvio
da marcha
e da luta

Como
quem
tem fome
Como quem as horas
não tem significado preciso
Como quem aguarda pelo melhor momento
para melhor aproveitar o fim
Como quem não se sacia assim
tão depressa...
Eu me sento na janela pra contemplar o fim do dia

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O amor só é bom
Se render bons versos
se excitar a imaginação lúdica

O amor só é bom
se for capaz
de criar situações
cómicas e ridículas
se fizer você achar
que esta louco,longe
fora de si!

Imperdoável o amor
que não desatina
não arranca lágrimas
que não fustiga
nem por um momento o peito

Bom é o amor
que desacata
a nossa autoridade
sob qualquer aspecto
e se torna rei
sem nenhum respeito
O amor
que traz um gosto antigo e saboroso
daquilo que sempre sonhamos que sempre tivemos!
È cedo ainda
começo de tarde
o sol doura de mansinho lá fora
e já estou orgástica !

È cedo ainda
mas desde antes
ainda que pela madrugada
em sonhos ...
Estava comigo

E já no começo do dia
aquele gosto antigo
No ônibus
sob as vistas em estandarte
eu te estava lendo
Eu te estava descobrindo
entre vielas
trechos e traços
engolindo-te
soletradamente
versos e metáforas...

E assim
prometendo-lhe tesouros e desejos
porque ao certo valeria
todos os meus beijos
ao dono daquele versos
porque ao certo
não haveria similaridade de sentimentos

Estou mesmo lambuzada
e todinha escorro
pelo luminosos vão da tua poesia !

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

"Viver não é necessário
O necessário é criar."
Uma vontade inefável
um sentimento inócuo
e irresistível de fuga
me hospedar
forasteira e foragida
em acasos que
me proporcionem
qualquer gozo
de fúria
de contemplação
Qualquer realidade
que possa se diferenciar
se opor

As paredes ocas vibram
se tornam monstros de concreto vivos
que me engolem
e depois me cospem de volta
Vidas
levadas por qualquer mão
Mediocridade

Essa fuga constitui
um reboliço interno
um estardalhaço
que sempre fez
de minha poesia
minhas tripas
um alçapão
de voz ativa !

o fim

E tudo se foi
ao golpe baixo
do susto
mas sem muita dor

Um vomito
Um cuspe
Um peido
Um arroto

Totalmente escatológico
Nosso amor
inventado á maneira de Cazuza

O ajuste tardio de energias
desajustado pela febre do vazio
pela indiferença generalizada

Sua música que eu não cheguei a ouvir
soou emoldurada pela arranhadura
de um coração precocemente destruído

Sob a mescalina de tantos beijos
pelo câncer avançado e preto
-Como plagiar Kurt-

Sensação de deja-vu
Estupidez loucura
Fetiche perigoso
Com gosto de desilusão tardia
poço fundo
negro
e sozinho

Vadia miserável vagabunda
Piranha desgraçada

Te amo e por mim não sentes nada !

sábado, 22 de agosto de 2009

Em tudo que chateia
...O bloqueio
NA senda dos passos
...O tropeço
NA dose que se segue
...O veneno
No bailado inconsciente
...O estrondo

Para quem escuta nada ...
Não quero mais amor
pois tudo nele em mim
agora rima sempre com
dor
Não quero mais amar
pois tudo em mim
desagua no mar
como um naufrágio de graves proporções
Quero ser o mar
somente ele em seu imenso destino
em seu imenso mistério
e navegar navegar
até onde eu possa achar
que não há mesmo mais terra alguma
e que me diluirei em seu sal
atravessarei suas ondas
e mergulharei para sempre
onde não há mais olhos
nem coração
pra que se importar
com o que nem mais há....

Quero sair daqui antes que eu derreta
antes que eu me esqueça
que eu não posso mais desistir
Eu não quero mais amar
Antes que eu me esqueça
A dor esquenta até estourar
Antes que eu me esqueça
Quero ser barquinho e navegar e navegar...
Grande Senhora dolorosa e tão Bonita
De uma forma bem específica
de vicios virtudes e verdades
escondidos no espelho interior
Mãe e madrasta
Casta curtida e castrada
das emoções mais delicadas
e destruidoras
das grandes causas
e pequenas encheções de saco...
afinal quem é você ??
O que tem em mim
que nem eu nem você
que sou e não sei
e talvez vá direto á Bagdá
e talvez não
Talvez pra Amsterdã

E não vou embora
porque mal cheguei
E não vou
pra lugar nenhum
por que não sei
nem norte
nem sul
nem noite
céu azul

Nenhum lugar
que seus olhos
me obriguem a parar
de um por um

e olhar
através do véu das horas
através das aparencias

e sentir meu espírito
escorrendo
saindo de meu corpo
percorrendo o astral
como mágica
como encanto xamanico

Nem fico parada
nesta sala
neste quarto
neste tempo sem espaço
neste chão de pés lascados
de pés
sem dedos
no chão de asfalto
que já nem existe ´
que já nem resiste
á desilusão
á desilusão

E é agora a hora
o que é será
o que é por que há
o que é
é melhor do que supor
que é

Uma explicação bastante convincente não há


Pra quem é
pra onde for
pra este enigma tão simples
é sim ´
ou não

Talvez ,
Será...

A vida anda insana
há há há
atrás das paredes é onde se escondem
os sentimentos vergonhosos
rastejante pelo vão dos azulejos
é pra lá que se vão
as trapaças as angustias
as mentiras
as doenças da alma....
há há há

Dando trabalho para o pano de chão.

À desilusão...
"Na vida e na arte agente tem que ter a compania do demonio"
Oscar Wilde

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Quinta feira estranha
Quinta vermelha
vermelho paixão
vermelho das unhas
vermelho dos lábios
e das calcinhas

milagre de quinta feira
nunca se ouve falar

rosas da cor de teus lábios de seda
vermelhos
ferve o líquido quente
tuas veias saltam sozinhas
em minha direção
Vermelhas

estrelas transformadas
-apontadas por dedos ainda sem verrugas
Consagradas em meiguices
poesia.

Outro dia
naufragou
o marujo que se desentendeu com o mar
e agora flutua sua alma incansável
sob os restos de capas de livros
outrora reunidos em seu porão
que como eles morreria sozinho

palavras salgadas que de nada valeriam...
Odeio as palavras
Nunca as encontro quando quero
elas nunca condizem com o que sinto

Elas mais mascaram que revelam
Mais sugerem do que dizem

O que sinto não são nomes
è só sentimento o que sinto
E não palavras
-mas palavras é o que tenho
Sejam lá elas
pronomes
sinônimos
adjetivo
Sem jeito
Elas não podem dizer ao certo o que quero dizer
O que sou
Eu não sei

Códigos estão sujeitos
a todo tipo de interpretação
Qual será delas a mais verdadeira?
Eu não sei
Como saber...


MAs vejam que sorte
sorte estranha essa a minha
Ao invés da pintura ou da dança
Ao invés das artes plásticas ou do cinema
Optei pela idiossincrasia dos versos
As rimas festeiras
A encarniçada e difícil poesia

E agora me desespero
com meu próprio destino
Desatino

E espero que de algum jeito
eu consiga fazer submergir
as palavras certas
Do caos de minha alma
iletrada e crua.
Os códigos fechados
os segredos infectos
descobertos
Os lábios entreabertos
em espera

Os fantásticos sonhos dos mágicos
O portão aberto sem trancas
permanece escancarados
sem nenhum invasor

Em apelos públicos
Palhaços
num passeio lúdico
bem sem graça
num circo
em dia de luto

Os relógios estão sendo atirados na parede
Eles se espatifam
se emborracham
È o fim das horas

As marcas inseguras
As amálgamas
Os ritos de passagem
no tempo das memórias
Tatuagem de vento
nas horas mortas suicidas
è o fim das horas
e seu peito que palpita tanto!


Tubos de ensaio planejam seu ato mais absurdo

Carnes
Fritas cozidas
assadas debulhadas
atiradas
em vitrines em gaiolas
carnes nas avenidas
em salas quartos esquinas
cozinhas


carnes
subnutridas
mal passadas
apodrecidas
bem temperadas
carnes
sem esperança sem vida

carnes
diárias
estantaneas
consumidas diariamente
indigestão planetária

Noticias nada amigáveis
intermináveis
ninguém
todo mundo

sempre meus ais
sempre meus ais
e nada mais
"Quantas vezes fizemos amor depois de nos odiar
e quantas vezes fizemos ódio depois de nos amar"

quinta-feira, 25 de junho de 2009

“Quem sou eu?
De onde venho?
Sou Antonin Artaude basta que eu o diga
Como só eu o sei dizere imediatamente hão de ver meu corpo atual,voar em pedaço se se juntar sob dez mil aspectos diversos.Um novo corpo no qual nunca mais poderão esquecer.Eu, Antonin Artaud, sou meu filho,meu pai,minha mãe,e eu mesmo.Eu represento Antonin Artaud!Estou sempre morto.Mas um vivo morto,Um morto vivo.Sou um morto
Sempre vivo.A tragédia em cena já não me basta.Quero transportá-la para minha vida.
Eu represento totalmente a minha vida.
Onde as pessoas procuram criar obrasde arte, eu pretendo mostrar o meuespírito.Não concebo uma obra de artedissociada da vida.
Este Artaud, mas, por falta do que fazer…
Eu, o senhor Antonin Artaud,nascido em Marseilleno dia 4 de setembro de 1896,eu sou Satã e eu sou Deus,e pouco me importa a Virgem Maria.
Não seja o de hoje.
Não suspires por ontens...
.Não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.Cecília Meirelles

"Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo."
?

"Há sempre algo de ausente que me atormenta..."
Camille Claudel


''A amizade é um amor que nunca morre. ''
Mario Quintana

"Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar."
Machado de Assis

sábado, 20 de junho de 2009

Depois da sexta feira treze

Vem a sexta feira santa

Depois da sexta feira santa


Solta as bruxas

que lá vem

de trás das moitas

aqueles cheiros

aqueles cantos escusos

se escondendo atrás das primaveras

aquelas danças severas
aquelas pernas que entortam
e enroscam como cobras
deveras


Depois da sexta feira treze
sem superstição
que não tem mais fogueira
nenhum perigo é em vão


Sábado e depois é claro
O domingo
aquele dia tão esperado tão querido
Domingo
que não é de Páscoa
nem dia dos pais
só mesmo mais um
domingo ressacado de paz

depois da sexta feira...
Só mais um santo
Canção
O peso do mundo é o amor.
Sob o fardo da solidão,
sob o fardo da insatisfaçãoo peso o peso que carregamos é o amor
.Quem poderia negá-lo?Em sonhos nos toca o corpo,
em pensamentos constrói um milagre,
na imaginação aflige-se até tornar-se humano
- sai para fora do coração ardendo de pureza
- pois o fardo da vida é o amor,
mas nós carregamos o peso cansados e assim temos que descansar nos braços do amor finalmente temos que descansar nos braços do amor.
Nenhum descanso sem amor,nenhum sono sem sonhos de amor
-quer esteja eu louco ou frio,obcecado por anjos ou por máquinas,
o último desejo é o amor
- não pode ser amargo não pode ser negado
não pode ser contigo quando negado:o peso é demasiado
- deve dar-se sem nada de volta assim como o pensamento é da dona solidão
em toda a excelênciado seu excesso.
Os corpos quentes brilham escuridão, a
mão se move para o centro da carne,
a pele treme na felicidade e a alma sobe feliz até o olho
-sim, sim,é isso que eu queria,
eu sempre quis,
eu sempre quis voltar ao corpo em que nasci.
[ Allen Ginsberg ]
Idade da Inocência


Não posso mais comprometer meus sentimentosNão posso evitar pois a raiva preenche meu coraçãoNão posso compreender uma nova causa perdidaSinto que perdi minha paciência com o mundo e tudo maisE todos os políticos e suas promessas vaziasTodas as mentiras, falsidade e vergonha que vêm com elasO trabalhador paga pelos erros delesE também com a vida caso acontecer uma guerraEntão, só temos uma chance e temos que aproveitá-laE só temos uma vida e não podemos trocá-laPodemos nos agarrar ao que temos em substituiçõesA idade da inocência está desaparecendo... como um velho sonhoUma vida de crimes insignificantes é punida com um feriadoA mente da vítima fica traumatizada toda a vida por quase todos os diasAgressores sabem exatamente o quão mais longe isso pode irSabem que as leis frouxas e as chances de prisão são poucasVocês não podem se proteger nem mesmo em suas próprias casasPelo medo do grito de vigilantes as vítimas enxugam seus olhosEntão, os criminosos riem bem na nossa caraO sistema judicial permite uma desgraça como essaPreocupações públicas e desesperadas onde tudo terminaNão podemos proteger nossos filhos da sanha do crimeNão podemos nem prevenir uns aos outros do mal em nosso meioEles têm mais direitos que nós, não podemos dizer que isso é justoEntão, só temos uma chance e temos que aproveitá-laSomente temos uma vida não podemos trocá-laPodemos nos agarrar ao que temos sem substituiçõesA idade da inocência está desaparecendo... como um velho sonhoA idade da inocência está desaparecendo... como um velho sonho

The Smashing Pumpkins
"A arte é uma mentira que nos permite conhece a verdade "

(Picasso )
È a imagem do fantasma
que percorre os caminhos do vento
que invento
que desliza no final da tarde
atrávés do invisível
do cheiro acre de muitas flores
das muitas nuvens que vão desaparecendo
das pedras do seu quintal que desapareceram
naquela tempestade em que você dormia

Onde estão ?

O "culhão "de meus sentimentos
pesaram em meu coração

Ah, esse enfermo
Esse embriagado.

meu pobre coraçãozinho atordoado
meu pequeno vampiro

Meus pés estão fincados
no chão pastosos de tua alma
escorregadia cheia de
curvas suntuosas !

Carmim

Arruda

Avelã

Azaléia


Dilatadas
minhas pupilas

Papoulas que dão vida
Opio
Alma incandescente alma viva

No topo da piramide
o papiro
na escadaria
um lindo pássaro dourado abre suas asas

Diante da boca que se cala e dos olhos que se entregam
uma imensidão de possibilidades...
Ainda inexploradas

O fantasma que ronda minhas noites
assanha minha estrada
com sonhos invisíveis
a toada do descaminho...





Fabulosos contos
tudo como que num sonho
daqueles que se sonha
em sonhar
a qualquer instante
Bocas que que se encontram mas que preferem não estar
Fios de cabelo pescoço como um fetiche
Mergulho nos olhos mar intenso
Descoberto
Deste e daquele lado invadindo a cama alheia
Estufa de plantas sem telhas e sem muitas plantas
Azulejo no chão
Frio
Nus num colchão alheio
Eu olhando pra você
sem saber bem o por que do que
que eu não conseguia dizer
e pra que mesmo que ...
Luzes se acendem antes do final da tarde
que acabou mesmo bem cedo
coisas overão
Eu vejo as tábuas de outrora
Numa fogueira de muitas iguarias
Estranhas
entradas
Motivo
desmotivado
sem motivo
Implosivo
como sempre
Homem Bombástico !
Serão todos os elementos ao final
A doce
A fatal
Vida !
Vida de mil indas e vindas .
Estrada perdida
Encantada.

Provérbios do Inferno


O tolo não vê a mesma árvore que o sábio
A cisterna contém a fonte transborda
Vergonha,manto do orgulho
A estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria
Quem deseja, mas não age, gera a pestilência
O excesso de tristeza ri; o excesso de alegria chora
Um só pensamento preenche a imensidão
.
A maldição aperta. A benção afrouxa.
É suficiente! ou Basta.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Há meninos vestidos de palhaços
Nos faróis da Vergueiro
Vendendo pirolitos
Com asas de sonhos que se viram ao avesso
mostrando nosso verdadeiro reflexo no espelho
sem maquiagem
sem maniqueísmo
demagogias
Ledos enganos
Há, meninos

Há muitos deles
Na garoa ácida e pestilenta
da São Paulo fria
Manhã..
quase sol
quase dia
Saltos quebrados para fora das calçadas
tetos sem telha
olhos sem pupilas
Sandálias pretas
Sandálias primas
Sandálias nas ruas
Mulheres meninas
O que há de mais comum
e que não há

Quantas são
Quantos mais
Quantos ais
Quantos números figuram no IBGE
e quantos não...
Quantos se comunicam e
quantos ficam na esperança
de um futuro
de um futuro melhor
e quantos nada
proclamando o fim de tudo
proclamando sem razão
o fim sem preocupação!
Por engano
me encontro perdida
entre luzes e correrias
subterfúgios desculpas
e corações compulsivos

( quem ao certo enganou-me
..eu não sei ao certo
..eu não sei dizer )


À beira de um desastre
terrestre

marinho
televisivo..

À beira de um enfarte
de um surto em controle

Rotas alteradas
por um navio fantasma

Pelos mais diversos vícios
insuportáveis justificativas

Tenho sentido pouco
tenho ouvido
e visto muita confusão

Tenho dito pouco
e ouvido muitas mentiras
muitos absurdos
muitas decisões repentinas
se tornarem decisões fundamentais
(fundamentadas na mentira no caos0

As coisas aparecem e vão se embora
com a mesma ineficiência de sempre

Nada é muito importante
ou levado ao cabo da reflexão

Nada demais na programação
Nada mais de indignação

O grande mal do século!
O grande mal de todos os tempos!

A dramaticidade
transformou-se
em um sarcasmo indiferente e medonho

Tenho certeza que já disse isso
Mas quem nunca se repete
Não se afirma

Nenhuma emoção é suficiente pra arrancar-nos
do torpor em que nos engalfiamos

Somos enganados o tempo todo por todos os lados
e gostamos disso
rimos as nossas custas
e pagamos mais que o devido
cúmplices de nossa própria desgraça
Que piada saborosa !

( A humanidade em desespero
com sua auto perversidade )
Na beira da estrada
as borboletas esperam
pelos carros que passam
tão velozes
Elas se arriscam em manobras
desafiam a máquina
em voos transversais
Pena
Nem sempre dão sorte

Hoje conversei com um cavalo
um cavalo branco e triste
O cavalo de Nietzsche
Ele estava preso por uma corda
Seus olhos eram serenos
pareciam conversar comigo
Nós sabíamos de nossa condição de cativos
Ele fiel ao Circo
e eu fiel a que mesmo ?...
Cada um a sua maneira
Estranha sabedoria
Próprias de cada espécie
derrama-se por cima daquela tarde sombria
cheia de pensamentos
Então como numa visão
O cavalo criou grandes asas
saltou pra fora de seu pasto
Cobriu os céus com seus relinchar e sumiu
bem diante de meus olhos
Cavalo louco esse que desapareceu sem nem dizer tchau
Obrigado pelo papo !
Hoje
um amanhã sem sol

Pouco resta
daquilo que pensamos

Já não pensamos nada
não nos ensinam mais isso
nem aquilo
nem o que quer que seja parecido

Sobre nada mesmo
e se pensamos fica por isso mesmo
não sai disso mesmo

Coma ou tanto faz

Pouco importa
se sabemos ou não

Por que nada fazemos
e fica o dito pelo não dito
e todo esforço
se torna nulo

Todo amor parece ter sido corrompido
por uma traça gigante e faminta

Todo sentimento verdadeiro
invertido em efemeridades
marketings,superproduções
A maré não tá pra peixe

Ilusões tardias
cinismos e fantasias
alimentam o rebanho
ávido e mesquinho..

Hoje
saudosista
com aquela
agonia de leve na garganta
com muitas panelas na pia
com muitas lembranças
Hoje
nada mais me resta do mais
além dessa meia dúzia de ais
Sem Meu Deus
Sem nada de mais.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Vida Tempo Luta Hora

A vida é faminta
A hora devora
A luta é infinda
O tempo apavora

A hora é faminta
O tempo devora
A vida é infinda
A luta apavora

A luta devora
O tempo é faminto
A vida apavora
A hora é infinda
A hora é agora!

Meu coração

Meu coração é um mar morto
Onde navegam amores vãos
Com mil olhos de ciganas
Com influência de mil feiticeiras
Fadado á ser sem destino
E ter mil estradas
estranhas emboladas nordestinas

Meu coração é uma Cármen de Bizet
de pés descalços

de riso largo
Num bailar de borboletas

multicoloridas
com flores aos avessos
arrancadas de um jardim público

Meu coração é um navio fantasma
Um lago assombrado
Mágico e dilacerado
Uma canção antiga
Um espectáculo á parte de qualquer espectáculo
Uma demonstração experimental
entre o concreto abstracto
Uma flor do mato
de florescer sangrento

Meu coração é um berro
um silêncio
Um trovejar tempestuoso

Meu coração é um pássaro
de asas quebradas
em pleno voo
de volta ao ninho
sem destino

mas encontrado
em seu caminho

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Me sobe uma Ânsia incontrolável
Impossível não se intoxicar
E me vem
Sei lá o que de uma vertigem
que,quase quase me faz pender do fio da vida
que se retorce em sobressaltos incríveis

A vaidade me aborrece
mas também me sacia
desta necessidade com o tempo
consigo própria
e com os outros
estes monstros de mil olhos vazados

MAs parece que a vida entupiu como a pia da cozinha
e as baratas já dividem comigo meu almoço
sem muita cerimonia
Tudo me é estranho impostor
forçosamente simpatico
Incomunicável

Vivo a cair
Nada me sustenta
São tantos os sentidos
As miragens
As verdades
As mentiras
Que nunca aparecem sozinhas
A dialéctica inseparável da vida
ânsia que não para de crescer
Não sei o que dizer pra você
Só sei que te quero por perto
Vem pra mim
sem muito questionar
Ser feliz
é bem mais simples
do que podemos imaginar

Não queira saber o que faço
não faz diferença
Quem sou eu
Sou todas
e nenhuma ao mesmo tempo
rio de mim mesma o tempo inteiro
Um enigma de pirâmide
sem jeito

Qual minha idade
Isso nada tem a ver com nossos suores
O que você quer de verdade,se não,
a mim sem identidade,sem roupas,
sem passado,sem cruzes,
sem arrependimentos ,sem pecados
Sem depois
sem montagem,sem edição de imagens
sem cortes

O que você quer de verdade
Minhas vontades (todinhas minhas )
minhas covardias (inegáveis)
meus erros (múltiplos e desnecessários)
minha confusão ( apaixonante e desastrosa )

A teatralização de meus traumas
toda minha insanidade
num balde de escada pés

Não, espere
Não pense nos seus planos mirabolantes
Eles de nada servem
eles visualizam um amanhã
que já cansamos de saber
nunca chegará de pronto.
Eu quero te ver sorrir e falar bobagens
pouco me importa tua verdade,
tuas mentiras
teus contrários
tua crueldade de menino
tua frieza para com o mundo
tua emoção desperta
em sobressaltos de bêbado

Pouco me importa como te chamam
ou como terminará essa tarde
ou se nos veremos de novo
Nada

Por que a verdade é que longe de tudo
somos perfeitos
e ainda muito crianças,
com fugas e ameaças
Vamos nos mandar desse Hades Moderno
Massacrando nossos sonhos Dantescos e Libertos!
Longe disso tudo
longe de todo o mundo
Não sei se enquanto escrevo
pra você
Te amo
Não sei se ainda te espero ou
Pra onde quer que eu vá
Te quero
Me espiando
Esperando
que eu te encontre
com algum gesto distraído

Te confesso que
ando esquecendo de você
na mesma medida
em que esqueço de mim
em garrafas de vodka
Boates escuras,
luzes,
bares,bocas
e "Autdoores"
e drogas em comprimidos
Me esqueço de nossa promessa oculta
esqueço de mim
em lugares que não mais voltarei
e quando procuro
acho que você anda brincando
de esconde-esconde
de nunca mais
sei lá...

Vivo voando por aí
E às vezes me esqueço de voltar
Mas... voltar pra onde
se minhas asas de brinquedo
não funcionam mais
Se já não tenho lugar algum
Se já não tenho por que voltar
Pra onde quer que seja
Pra onde quer que eu vá
Qualquer lugar é meu
Em qualquer lugar vou te encontrar

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Um leve sabor do veneno
perdura ainda em minha garganta
Mas renasce o dia
Esquece eu me ouço dizer a mim mesma...
Meu desejo é ir além
e dizer amém ao Apocalipse
Indo de encontro brusco as ciências ocultas
sob a cruz ortodoxa
dos castelos cristão sanguinários
Os torturadores da fé alheia
Refluxo da Sociedade Secreta do Saber
abafada sob as vestes do Papa

A Verdade é solitária
As palavras degenerativas
O sentimento é incomensurável

O ópio
O ópio
O ópio


As cordas desafinadas
de seu instrumento de tortura
que não pára de gritar

A insegurança é um trovejar medonho
na passagem tremula na ponte dos desejos
A multidão
A multidão sem ninguém
sempre esperando pela queda
pelo vão que se aproxima
por alguma diversão
qualquer coisa serve

Um gosto forte do veneno
uma toxidade medonha

Agora preciso descansar!
Assim estou
Ruído surdo
que quase não se ouve
que quase não serve
que quase não existe de verdade...

Entre luzes e correrias
subterfúgios e soldados disfarçados
Corações compulsivos e distantes
á beira de um enfarte
á beira de um desastre
Rotas excludentes
alteradas expulsas autoritárias
pelos mais diversos vícios, vírgulas
Insuportáveis manias
insuportáveis marcas pregadas
feito estigmas

Tenho visto tudo meio torto
meio vesgo meio pelo avesso


Nada de muito importante
Nada que seja levado ao cabo da denuncia
da análise da reflexão
O grande mal do Século
_tenho a impressão de que já disseram isso_

A dramaticidade
transformou-se num sarcasmo
indiferente e medonho
Nenhuma emoção
Nenhuma novidade
Somos iludidos o tempo todo
e gostamos disso!
Damos a cara a tapa
a mão a palmatória
Um sadomasoquismo difícil de crer
Permanecemos neste zumzumbizar neste marasmo
Corações congelados e deprimidos
caminhando sem pés e sem coração!!

Invenção

És uma invenção!
uma fábula um engenho uma ficção
Criação de minha alma
Enlouquecida
Absurda
-tão sozinha-

Sem sentido!

És uma invenção!
Um contraponto um soneto
Sonho meu!
devaneio de um corpo que
bailando certa noite
esbarrou ao acaso com um rosto estranho
refletido do outro lado de um espelho mágico
E deu por si nesse instante
perdidamente apaixonado

És um segredo que
por mais que coce a língua
não poderei te contar
és uma cisma
um capricho
uma obstinação
uma sina
um pesadelo
uma pulga trás da orelha que não deixa de coçar
um cafuné
uma pelúcia velha dada de presente

A fina poesia que surge no momento mais inadequado do dia


A misteriosa entrega absoluta
sem recursos sem enganos
que existe quando dão de encontro nossos olhos
-que sonho-

È fantástico o ser que se revela em mim
quando você existe
Desde que inventei que Você existe
só porque eu te encontrei

Nova versão

Olhos como cabeça de dinossauro
voz como o ronco de trovão que prenuncia a tempestade
Torrente do fel mais encarniçado
do amargo que corre pela língua percorrendo sem pressa
denso meus céus
descendo pelos doutos de contenção emocional
Trágico
Bebes me olham como se entendessem tudo,
(Apavorados querendo voltar ao útero )
mas não pudessem dizer nada
O coração que com rubras asas
se transforma em um pássaro
que salta do peito explodindo pela boca
ferindo assim, toda a garganta
ferindo dentes e gengivas
fazendo submergir sangue
vazando de sua boca como uma queda de feroz cachoeira

A memória esta renovada
a pulso funciona fraco...
Medonho

Nada mais genial que o golpe fosse dado na cabeça
(o que aconteceu á força usada na execução do ato covarde
readquiriu o estado inicial de quietude e paciência )

Indubitavelmente eu
hei de nutrir do caldo grosso de tua poesia
pobrezinha ainda guardada na estante
da saliva de seus tédios de fim de noite
do suor de seus atropelos..
Sem jeito meu eu e meus não-eus
sabem bem quem é você

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Boneca

Boneca de Trapo
Boneca suplício
Maltrato

Buxixo
Boneca Buraco
Boneca De Circo
Boneca Palhaço
Estandarte

Estardalhaço
Pedaço de seu céu sem cor

Sem nuvens e sem mormaço
Boneca sem sexo
Saudade sem mágoa
Destino sem rumo
Boneca de água
Boneca de chumbo

Boneca sem dor
Boneca de carnes
Boneca de amor

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Novas versões de velhos amores

Será que acaso você ouviu
a nova versão
tema clássico
de nossa tenra juventude...
Tema trágico
de nosso romance
tão intenso
e tão sutil ?

Nosso sentimento vivido
clandestino
ás escondidas,...

Novas versões de velhos amores
Velhos amores em novas versões

Será que ainda hoje
perde seu tempo preenchendo
em linhas de caderno
todos os episódios que não foram
encenados no nosso palco sem fim
Criando fictícias
todas as possibilidades que tivemos
que teríamos ?
Nossas memórias
nossos encontros
e desencontros
em meio á canção que dizia tanto sobre nós ?

Nosso amor Platónico
Nosso amor sem carnes
Nosso amor alado
Nosso amor de sonhos...

E como poderia ser diferente

Nosso amor revelada dentro dos cemitérios !
Contrariando todas as convenções .
Certamente fomos amaldiçoados

pelo morto da tumba em que nos atrevemos
revelando assim
nossa paixão
gótica
e além dos tempos
Esse amor tão incomum
Nossos destinos
entrecruzados como as cartas de um baralho
Perdidos no vão sem telha de uma lua nova
Encerrados em nosso infortúnio
de sermos tão meninos e tão apaixonados

Ainda que por descuido ou deja-vu deixava-me levar
por seus olhos naquelas tardes indescritíveis
intermináveis de nós dois
nós que procurávamos no céu
e seus estranhos signos
Respostas brandas aos nossos sentimentos
aflitos e confusos

E mal havíamos percebido que há pouco
dormimos meninos
e acordamos
homem e mulher

Aqueles corredores escorregadios
aquele pátio cheio de segredos
cheios de ensaios fatídicos de vida

Ah quantas saudades
Ah quantas pequenas bobagens nos faziam felizes

Nossos gritos que já não cabiam
calar em nossas gargantas
nosso corpos que ferviam
precisavam se mexer cada vez mais
nossos olhares que escondiam tantas dores
tantos amores inconfessáveis !



E hoje que andamos tão ausentes

desses tempos
de tanto e tão pouco tempo atrás
resta-nos a doce lembrança
e a forte saudade
dos anos em que saltávamos longe em que ríamos muito mais
e descobríamos aos poucos quem seríamos
do que éramos feito!



Velhos amores sempre presentes
Velhos amores amores presentes pra sempre !

Marionete que ganhou vida

Transbordei da vasilha
Inundei o compartimento
Não tive a preocupação de medir
de antemão o quanto caberia

Escorri pelos degraus
Feroz

Com minhas águas
(lágrimas suores sangue de toda espécie)
foram lavadas roupas íntimas,
lençois,forros e panos de prato
Toda água tornou-se suja inutilizável
Todo véu coberto de poeira foi retirado
toda luz acessa foi apagada

"Todo amor é como um sopro
e no último suspiro acorda desmaiado..."

Fui estendida no varal
-capturaram-me-
com pregadores de prata
num terreno baldio os cães vinham brincar com os ratos
aves rondavam e

muita chuva caia impedindo que eu logo secasse

Fui entregue ao sol ao vento as tempestades
como merecedora sem muita chance de inocencia

Sem lamentos

ou meia palavras
Transbordei

da vasilha e agora sozinha
tenho que retornar!
Ah, esta minha vida
Estes vinte anos
estes vinte anos famintos
Sozinhos
mesquinhos
Sedentos
Sôfregos e fantásticos
e lamentáveis
Assim como disse Rimbaud..
assim eu estou de acordo

Absolutamente
sobrevivente !
cheia de gostos,
sabores,
suores.

Amores
sonhos
enganos
dores
Mistérios
pensamentos...
Misteriosos sinais

Anos em que estive a me esconder
e também a me mostrar
escapar e descobrir
verdades e mentiras
sinónimos
e antonimos
de uma coisa só

Anos em que estive
espreitando as faces
por baixo dos panos

Os risos sem alma
Os olhos foscos
Os discursos vazios
Os corações amortecidos

Me infiltrando
no submundo
das almas aflitas
despertas e ávidas
tanto quanto a minha!

Um subproduto do meio
elemento das profundezas
de um oceano inteiro

O que dizer da fera onde sou ferida
das flechas todas lançadas de uma só vez
das marcas na pele sem proteção
das lições que se dão sozinhas
sem a necessidade de professor

O que dizer dessa vida de armadilhas
dessa sombra violácea
deste sonho eternidade
deste grande mistério sem pronto atendimento!
Penetra surdo
O meu grito
na haste suja de teu ouvido
Teu ouvido mouco

Lamentavelmente
Não será possível a comunicação!
De meus olhos
saem fagulhas prontas para te ferir
prontas para atingir
o cume frio de teu pobre coração
disfarçado de Dom Juan
de Dom Quixote
de dono da verdade

Palavras são atiradas
como bala de canhão acelerado
em uma guerra particular e subjectiva
e o soldado que feito em pedaços
serve de modelo
pra o hábito industrial,
ainda contém na face um estranho riso
estupefacto pesadelo

O sol doura teus cabelos que ainda permanecem
castanhos escuros,quase negros,
queima tua retina sem você perceber
meus pés tem asas de morcego
e meus braços gangrenaram ao te abraçar
um pingo de veneno
E agora?
Fazer o que ...
Mas agora eu não sei mais
como dizer
o que eu ia dizer
Já não me parece assim,
tão importante!

Só sei que me dói a vida
como um esmagador sopro
que sufoca e arrepia

Como um ciclo
sem escapatória
que gira sozinho
e eu fico
me perguntando
todas as perguntas do mundo
na roda do tempo

Me contra dizendo
como é difícil ser assim
como sou...
è tão simples
pois sempre foi assim
Assim
Eu sozinha
dentro de mim

Assim
que eu passei a me conhecer
assim que tudo passou a ser
todo o mundo pra mim

E assim me vi intrusa
Sambando sozinha
no Carnaval das ruas

Intrusa
entre os que me rodeavam
com seus olhos de bonecos

sentada em cadeiras distantes
falando em línguas distintas

Assim

sempre busquei minhas raízes
num abismo mais profundo!


Não me apeguei a nenhuma religião
nem acredito
no Deus que salva ou condena
Porém não sucumbi
aos pés de um ceticismo que amortece

Quando escrevo o sinto profundamente
essa é a minha voz
diante do silencioso esculacho da vida ...

Lamento esses tempos
tão esvaziados
sem vozes que digam alguma verdade
Sem meios de se autenticar
as grandes mentiras

Essas pregas na alma
Esse riso tolo
Essa sensação falsa de satisfação
Essa melancolia crônica
Esses calos espirituais...

Lamento permanecemos
ainda tão presos em nossas próprias ilusões
em nossos proprios cárceres privados
em nosso fastio gigante da vida!
Cercada por estrelas
noite circular
Encantada
Caminhos que parecem
me despreender,não obstante,
Em constante enlace

Cercada por estrelas
em meu quarto imaginário
sem telhas
minha linha invisível
Em meu quarto baralho
desvendo vielas do destino sem trava

Embriagada sem respirar
sem poupar
sem receio
com os olhos vidrados, diluídos
em óleo diesel
em transfusões de sangue
em um lago púrpura
em um sonho sem vivos
Rio sozinho
riso de menino.


Cercada por estrelas
mente labirinto
mente moinho de vento
morrendo sem medo

Os pés
lascas de fogo
A língua
um morango silvestre
Nos dedos
poeira de fada
os olhos
"O lado escuro da sombra do sonho"
Tudo passa com muita força
Avalanche
Tudo passa com muita pressa
Terremoto
Muitas gotas de seu suor espesso
caem no chão de tantos passos

Tudo se agita
Gigantescamente
ás portas de dias que virão,
Sinistros
sobre a Solidão
que se despedaça
em um grande abismo sem eco,
Seu coração!

Òh! Raça Humana
Quanta prepotencia!
Tamanha Tecnologia !
Quantas mortes foram necessárias
e ainda são necessárias
Quantas guerras!
Tamanho desenvolvimento!
Quantas injustiças trapaças misérias ...

Um grande vão no meio de uma noite
de uivos e ventanias
uma grande tensão sob os ombros
Um espinho fincado nos pés
Sob os olhos uma venda colorida
Um estranho gosto nas nossas bocas
predomina
emaranhado todos os sabores

Rotos,
Àcidos,
Fálicos,
Sádicos
Estáticos

Todos os olhares se anulam
todas as vozes se misturam
Sem dizer nada
os desejos se afogam
no mar das certezas!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Estacão Sé

Estação Sé
Acesso a linha vermelha
Desembarque pelo lado esquerdo do trem
Estação Sé
Catedral
Sede Episcopal da cidade de São Paulo

Senhora Realidade
Dá-nos sem demora
sua bênção tão requerida
Banha seus filhos famintos
de sua grande proteção
Mas sem armas
sem feridas
vamos senhorita
dá-me logo teu pão de maravilhas

Estação Sé
Côrte dos Milagres

Èhhh...
Sé dos sem teto
Sem destino
dos sem colchão
A Sé dos mágicos suicidas
dos loucos sem perdão
dos trovadores
A Sé
brejo da cruz
Dos sem razão
sem dinheiro
Os sem medidas
Estão no vácuo
estão no meio do caminho
Estão no vão


Esta é a Sé
Estes são a Sé
Qual foi
qual é?

Estes são de todos os lugares
Irmãos de fé dos sem fé
Navegadores de mares e marés
Tempestades devidamente presas
em caixas de pandora
devidamente lacradas
com o símbolo do Estado
è claro!

A Sé das esmolas pré-fabricados por mãos tão benditas
quanto solitárias
temerosas e punitivas
dedos em ristes que apontam e delatam
Sem demora
-Olha a hora
-Nãopára,
nem olha

Estação Sé
"O que ce vai querer "
-Morrer de rir ou de chorar
-Qué pagar pra ver
Maconha
pedra
pó...

Ou vai ficar aí olhando
com essa cara de espantado
Fala aí manda vê
Só não vai vacila
cuidado com os gambé
Só não vacila e não diz quem nóis é



dos sem dentes
sem almoço
sem jantar sem café
Sé dos sem titulo de eleitor
Catedral dos herdeiros de Caim
sem nome
sem certidão
sem estatística

Abram alas pra ala
do Carnaval da Sé passar
Multidão de pés descalços
e corações amortecidos

Multidão de dedos sem anéis
Ninguém é o que parece
mas se parece é

Estação Sé

Somos que somos
A vida é como é
Podem fechar os olhos virar os rostos
podem fingir-se de mortos
Pois a Sé dos intestinos revirados
continua de pé
A Sé dos pirados
dos escolhidos
dos envenenados
Estação ...linha vermelha

Acesso pelo lado esquerdo do trem
Um leve sabor do veneno
perdura ainda
em minhas entranhas
Mas renasce o dia
e o desejo é ir além...
Endiabrados
Indo de encontro com as ciências ocultas
Com a magia enterrada
Sob a cruz ortodoxa
Dos castelos cristãos sanguinários
Monstros de cruz na mão
e frios corações

Os torturadores da fé alheia

Refluxo da Sociedade Secreta do Saber

A verdade é solitária
E as palavras por vezes
Se perdem no vazio
São degenerativas sem saber

O ópio O ópio O ópio


A insegurança é um trovejar
na passagem trêmula na ponte dos desejos
a multidão sem rosto,
de mil vozes
que nada querem ouvir
e nada tem a dizer

A multidão sem coração
sempre espera pela queda
com sua mãos pegajosas
com seus vícios
suas bocas turvas
seus dentes furiosos
seus olhares foscos e mal intencionados
Sempre á espera pela queda do precipício
que brota da "Terra Gasta"
Carrascos
com seus próprios pescoços dependurados
E sorrisos de incertezas!
O sol já já se põe
no horizonte
aquela linha imaginária que,no entanto,
nos parece tão real

Ausência de sons

Tudo se prepara
como
num canto de ave rara
Sendo ali...
Hora fatal!

Ninguém consegue disfarçar
a palidez de nossas almas sem sol
todos permanecem indiferentes
a estes tempos tão indesejáveis

Tédio em Paris
em Nova York
No Iraque
Na Ìndia
Rùssia
Tédio no Japão
Tédio no Brasil


E nós s mais uma vez
com esses olhos
e quem morreu
e acordou tantas vezes


E nós que somos pedaços,
misturas e cansaços
somos levados por um poder inexplicável
que vem de nós
e não vem

Ah,
esse meu fraco pelo horrível
é um escárnio
por onde passa toda minha tristeza
E o silêncio em que me guardo
está repleto de palavras enferrujadas
estou cheia de uma fome
que nada sacia
num sufoco
num querer constante de um Grito!
Olhos como cabeça de dinossauro
voz como o ronco do trovão
que prenuncia a tempestade
torrente do fel mais encarniçado
do amargo que corre pela língua
percorrendo sem pressa
Denso
Meus céus
descendo pelos doutos de contenção
Emocional
Trágico
Bebes me olham como se entendessem tudo
mas não quisessem dizer nada

O coração que com suas rubras asas
se transforma em um pássaro
que salta como se quisesse explodir do peito
com suas asas recém nascidas
sai pela boca
ferindo toda a garganta
ferindo dentes e gengivas
e a língua se enrola num engasgo
fazendo submergir
todo sangue vazando da boca como
uma queda feroz de cachoeira

A ´memória está renovada
o pulso funciona fraco
e a latitude do planeta
entra em desacordo com seu eixo
e todo ele pede por Socorro


|Nada mais genial que o golpe fosse dado justamente na cabeça
(o que aconteceu á força usada para a execução do ato covarde,
readiquiriu o estado inicial de quietude)
explodiu em mil cores
milhares de luzes e vozes milhares de vezes
vagando numa escuridão de Eras

E eu hei de nutrir do caldo de tua poesia
pobrezinha ainda guaradada na estante
do suor de seus medos
na saliva de seus sonhos
como num beijo Sem fim
Sem enredo.