segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Tenho 7 mil amores

senhores e senhoras de mim

tenho 7 mil corações partidos

bandidos
forjados
sozinhos

Sou um anjo
que perdeu as asas

E estranha que não haja céu

então descobre aos poucos
as delícias do inferno

Tenho 7 mil suores

Estranhos pensamentos

rondando minha cabeça
como urubus

pousando em minhas mãos
como gafanhotos

Linha ténue
onda submarina
desapareça de minhas vistas
em direção nenhuma

Tenho 7 mil canções perdidas

7 mil sonhos sozinhos
num baú de tranca velha arrebentada

por 7 mil vidas inteiras

em 7 mil mortes vazias...
Ah vida,
Vida minha,
vidinha
Chegue
venha pra cá
venha
Venha devagarinho
venha quando eu estiver dormindo

Mas tire seus saltos de agulha fina
e tente por favor não fazer muito barulho
Chega de tanta pancada
tá na hora de um carinho,
Não...

Tente ser boazinha
me mostre já
um caminho mais seguro
menos daninho
me conte algum segredo
conte me uma piada
que eu ainda não saiba

Mas só não venha me dar conselhos
por favor ...
só não peça..
Um pouco menos ...
Por favor

Venha vida
vidinha
teimosa vida minha

Vagabundinha de esquina á procura de diversão
Essa vida que se espalha sem pedir licença
sem nenhum cuidado
criando confusão e alegria

Essa Megera Indomada
Cheia de tudo
e totalmente vazia
vida
vidinha
cheia das suas armadilhas
-Filha da puta !

Essa pequena vasilha de cerâmica chinesa
cheia de detalhesinhos
e cuidados excessivos

Peça de decoração
cheia de mortes e ressureições
cheia de desânimo
suspresas e decepções
cheia de frescores e agonias
cheia de tesão
tão complexa
E absolutamente simples

Ah vida
vidinha
chegue pra cá venha ...

Saudades

Saudades das noites em que tentamos morrer
Saudades dos risos e das doces viagens
Saudades de quando me perdia
Linda
Sem querer mais me encontrar
Sem destino
Da vida levada
`A la vonté`
Quando sob as brumas
das madrugadas embriagantes
Éramos tragados e tragávamos nosso prazer

Vida louca !
desbunde
desatenção
"Embriaguez Sagrada Afirmamos-te como método!"

Saudades das noites entregues á olhos desabrochados
querendo mesmo chupar estrelas
e desafiar á rota do tempo
Largando ás normas aos normais
e nos entregando á condição de loucos totais
cuspindo no chão a nossa ridícula
e acanhada maneira de viver
Viagens tresloucadas,
desejando sem parar de desejar
A qualquer hora
Em qualquer lugar

Passar mal de estar tão bem
e que se fodam todos lá dentro
de suas casas muros e apartamentos
e que foda a ressaca e tudo que vier amanhã

Fechar os olhos e chegar ao fim
Não não me acorde..
Não não quero nunca mais acordar

Só estou tentando morrer um pouco!
O tempo passa
Mas não tem jeito
tem coisas que permanecem iguais
passa o tempo passa
E não pára
e, ás vezes,
Nos esquecemos de quem fomos
( e ainda somos )
de como eram nossos sonhos
Ao piscar de olhos
corre, leve, passa

Que desgraça tão sem jeito
os caminhos da lembranças
que não conseguimos agarrar de volta
que só o tempo é dono e pode explicar
O cabelo cresce
O tamanho cresce
E o coração
com o tempo
parece diminuir
e ficar cada vez mais sério!

Volta!
o tempo nunca volta
E nisso está a revolta
o recomeço sem fim
o fim sem recomeço
recomeço de volta

O caminho de círculos
que no ponto de convergência
Retrocede
O eterno retorno de Nietzsche


Não importa
nenhum segundo terás de volta

Não importa
á tua porta batem
tanto o frio da madrugada
quanto o sol do meio dia

tictac tictac tictac
o tempo preso no relógio da cozinha ...