quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Suspensa ...
no formato de uma bolha colorida
do tamanho de um abraço
de uma saudade
Vou partindo
sem remorso
destas terras assombradas

Suas pupilas estão maiores
e seus olhos soam embriagados
parecem tão infinitos vendo assim tão de perto..
Olhe para cima e verá
tem uma estrela que brilha nesse instante
sem propósito algum
e é nesse despropósito
que de certa forma estamos inseridos



Suspensa
depois da tempestade
no naus dos loucos
navio fantasma
depois das dinamites dos terrenos Africanos
Dos horrores
dos choros orientais
depois das bomba de hidrogénio
nitrogénio
Quem foi o genio que descobriu
essa besteira tão eficaz no seu horror

Depois...
o que vem mais
bombas de egoísmos
vaidades e preconceitos
covardias e perversidades
aceitas e estimuladas
passadas como tradição
já muito bem enraizada

depois dos tiros de canhões dos gritos de sentenças
depois de atacarem até nosso oxigénio
homens bomba comemoram lá no céu sua vingança sacra
e daqui contemplamos nossa miséria intacta

Depois do caos
e das mentiras
O almoço nu
A volta dos que não Foram
depois de tudo que já foi
As ultimas revelações de Dona Fátima

Suspensa !

Suspensa nos jardins suspensos
Suspenso o gira-sol continua parado
e quem gira somos nós
cegos e meio retardados
dando noz em laços frágeis
se entregando sem vontade de submergir

Suspensa

A lua
noctívaga senhora de mim
suspensa sob o céu de chumbo
Lamentando que o fim do mudo
seja tão triste assim
O rouxinol se aproxima na costa
o conde louco
acha graça
o mago irrisório
prepara-se para a festa
a moça nua de mares abertos
os garotos suicidas comemoram
os perversos,os atiradores
os malucos dos hospícios se hospedam em hotéis de luxo
os rotos
os bêbados
os histéricos,os cientistas
os artistas os poetas e as prostitutas
Todos velem por suas vidas
em uma prece já há muito esquecida

Então que cada um
invente sua própria prece
e que se apresse
pois já não há tempo mas
que sorriam e cantem
pois nada demais
é ser feliz

Os peixes estão sendo devorados
pela chama engolidora da vida
E as aves do meio dia
fazendo um voo trivial

Suspensa
na tarde tranquila
os pés soltos no chão por entre as flores
o terreno arde com o sol do meio-dia
e a voz se perde no mato fechado
aves de Estio

Manifestos diversos
Insultos, provérbios
desvios, mistérios
Insecticidas
macabros venenos
são injectados todos os dias
todos os dias

Política
pouco de tisica com mortadela
num prato o feijão cozido com angustia
os capítulos da novela
e eu penso comigo
Até quando a ilusão será aceita como realidade

Suspensa
Um voo xamânico sem volta...

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