quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Canção notívaga


A luz dos meus olhos
soltou-se na obscuridade,
permaneceu fantasma
como uma gangorra sem sombra,
Em meio ao noticiário da tv !
O céu parecia tão perto, mas,
mesmo se o alcançasse com as minhas mãos,
nunca teria seu gume entre meus dedos!

São nestas divinas noites de maio
que o céu misterioso

me faz cair
num estado de doce exaltação
difícil de resistir

Inexplicável
Que a vida
perca em um segundo
seu gosto amargo
do dia a dia
e se revele Extraordinária
como ela realmente é

E por mais que e se procure
não existe
mesmo meio
E o fim era apenas o começo!

Eu queria
bailar entre as estrelas

como sem consciência do destino
Me perder no vão do firmamento

Desejava o silêncio dos astros
que não me alcançava
entre os sons grotescos e vulgares
que me rodeavam
Em algum lugar estava
a paz que eu queria e não encontrava

O desejo do silêncio é terrível,
mais forte que a fome
mais cruciante que a sede
que maltrata nossas gargantas todos os dias

Desejei o silêncio que só se encontra no túmulo
debaixo da terra
Quero estar longe
de qualquer ruído
voz de lamento,
raiva sussuro
tristeza e compaixão

Mil ideias me trespassam
embaraçam despenteiam
meu cérebro fatigado !

E eu tentando
determinar a fronteira
entre fantasia e realidade

se é que é possível
se é que é real...

Talvez toda nossa realidade
não passe da louca fantasia
de alguém inesperado

Talvez nunca chegaremos perto de realidade nenhuma
e talvez tudo isso seja loucura minha....

Compreendi finalmente
que meu desejo pelo silêncio
era mais que um hábito,
um impulso,
era uma afirmação de vida
perante o degenerativo

Eu procurava sepultar minhas tristezas
nas graças sempre novas da lua

Estou ficando louca,
ás vezes, penso ter alguém dentro de mim
pensando e agindo em meu lugar
gritando muito alto
como se o próprio demónio
me castigasse com uma zorra invisível
escondendo-se em algum canto de minha alma torturada

E quando finalmente
conseguir dormir
espero
morrer delicadamente
dentro de meus sonhos juvenis !!



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